Tudo gira em torno da culpa

Você já parou para pensar que, quando alguma coisa desagradável acontece, a primeira coisa que as pessoas fazem é procurar um culpado? Quem foi que fez isso??? De quem é a culpa???

Ele (a) é culpado (a) por me abandonar!

Meu chefe não me promove porque ele não gosta de mim!

Meu professor me deu nota ruim porque implicou comigo!

O José bateu o carro porque Maria brigou com ele!

O meu trabalho me tira o sono!

Estou desempregado porque não sabem do meu valor!

Enfim… até Deus é culpado por nossas desgraças!
E daí em diante. Você sempre achará um culpado por sua insatisfação ou infelicidade. Isso é fácil, extremamente fácil! Mas parar para se perguntar qual sua parcela de culpa nisso é que é difícil, mas não muito! Porque aprendemos desde cedo a nos culparmos e buscarmos culpados.

Já no berço, os nossos pais demonstram o quanto estão mal quando não fazemos o que querem, ou que não querem. Exemplo: Diz a mãe: “Olha só o que você fez! Vou ter que arrumar seu quarto de novo! Não tempo pra mais nada. Nem para um banho em paz!”

Imagine você, a quantas chantagens emocionais foi submetido para que se tornasse um culpado compulsivo? O tornar alguém culpado é algo simples e que não é de responsabilidade só dos pais, mas de todo meio social. Na escola, na religião, no trabalho, enfim, em tudo que diz respeito ao processo de socialização, até chegar a um ponto tal que o processo ocorra automaticamente. Desta forma aprendemos, como mecanismo de defesa, a buscarmos os nossos culpados também.

Dos papéis que vivemos na vida: pai, mãe, filho, irmão, amigo, esposa, aluno, funcionário etc., os que mais exercitamos são os papéis de: detetives, delegados e juízes, porque sempre haverá o culpado por algo de ruim que te acontece. Se um raio cair sobre sua cabeça, o culpado será a prefeitura por não ter posto ali um pára-raios!

Fazer culpados é o meio mais rápido e fácil de obter o poder da manipulação. No outro sentido, é o meio mais rápido e fácil de sermos vítimas – o que costuma ser altamente reconfortante pois, nesse caso, nada mais haveria para se fazer!

Pode ser que você diga que não goste do papel de vítima, prefere o de perseguidor ou de salvador. Tanto faz! Você está no jogo da manipulação! Não está livre para ser você! Sem jogo, sem manipulação: há quem viva sem isso? Sim, é claro que sim! São os que, ao invés de buscar/ser culpado, buscam a responsabilidade!

Quando o questionamento sobre algo de ruim ou de bom, começa por você (O que fiz para estar nesta situação? O que pensei quando fiz isso? O que estou sentindo? O que foi que eu falei?) nada acontece à você, a não ser que você permita! Onde fica a sua responsabilidade quando algo te acontece? Nos ombros dos “outros”? Onde você guarda seu poder de julgamento no primeiro impulso mediante a qualquer situação? Escondido em seu lado escuro?

Acontece que os papéis de vítima, salvador ou perseguidor são psicodinâmicos, ou seja, eles mudam, mas sempre há uma preferência, por um ou por outro (o de vítima é o mais comum). É um grande erro! Entrar neste jogo faz mal à saúde física, mental e social. É a nascente das neuroses, das doenças físicas e sociais. Você é o único responsável pelo que pensa, diz, sente e faz; e igualmente responsável pelo que não pensa, não diz, não sente e não faz!

Assumir a responsabilidade que lhe é cabível promove a saúde e o bem estar geral. Será que você é mesmo responsável por quem cativa? Ou o outro também é responsável por se deixar ser cativado? As pessoas estão cada vez mais perdidas com estas questões de responsabilidade emocional, é mais cômodo ser e buscar culpados, é mais fácil de administrar e mais nobre perdoar. Trocar a culpa por responsabilidade, não é fácil, não é socialmente honroso (“Já perdoei!”), mas liberta a mente, seu mundo fica mais leve e seu caminho mais suave.

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