Priscila Porfírio

Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental na área clínica. Experiência também na área organizacional com pós-graduação em Gestão de Pessoas. Apaixonada pelo ser humano e suas especificidades, esclarece as principais dúvidas sobre transtornos, síndromes e distúrbios psicológicos, além de fazer uma conexão com o dia a dia da população sobre seus problemas emocionais, pensamentos e comportamentos. CRP 06/111755.

Primeiro passo

Temos o hábito de culpar sempre o outro pelos nossos problemas e frustrações e muita dificuldade em reconhecer a nossa parcela de culpa ou nossa identificação com o lado dos nossos defeitos e imperfeições.

Há pessoas que traem, mas não admitem nunca. Pessoas que ofendem e humilham, mas não suportam uma crítica. Pessoas que são grosseiras, impacientes e ríspidas, mas não suportam o stress do outro. Pessoas que reclamam da corrupção, mas vivem dando um jeitinho de conseguir vantagens que não são suas por direito.

O que mais sabemos, é falar sobre como todo mundo nos faz infeliz, por não agir como gostaríamos. O outro não existe, na verdade somos nós que criamos a maioria das tempestades, sendo totalmente egoísta e desconsiderando o sentimento, o contexto e as dificuldades dos outros. Não é fácil, não é gostoso e nem faz a gente melhor que ninguém, porque é apenas a nossa obrigação.

Aprender a olhar para dentro e reconhecer a nossa responsabilidade na bagunça da vida, pode ser um dos maiores passos para uma vida com mais sentindo, verdade e paz. Não busque culpabilizar o externo, não busque a felicidade no externo, aliás pare de buscar as respostas no mundo externo. A busca é de dentro para fora. A partir do autoconhecimento, começando a sair desse processo de negação infinito e começando a admitir todos os nossos defeitos e erros. Dói? Sim, mas só desta forma vamos conseguir tirar os monstros e sombras que existem dentro de nós. É só através da dor, que conhecemos a felicidade.

 

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Será que você anda trabalhando o seu amor próprio?

7 dicas de como melhorar sua autoestima

O amor a si mesmo (a) é primordial. O amor dos outros é secundário. Sua vida é como uma casa e a sua autoestima é a base dessa casa. Seu amor por você te estrutura e assim nada te derruba. Então como anda a sua base de vida? Você tem feito à manutenção? Tem cuidado da sua estrutura ou está deixando-a jogada as traças?

  • Tire um tempo para se cuidar, fazer suas unhas, uma hidratação no cabelo, uma massagem, etc.;
  • Reúna-se com amigas (os) para dar risada, falar sobre projetos e sonhos;
  • Cuide de sua alimentação e faça exercícios físicos para você se sentir bonita, atraente e principalmente para a sua saúde. Esqueça aquela ideia de fazer tais coisas pensando nos outros; O corpo é seu!
  • Tenha uma Blindagem Emocional: observe quais as pessoas você permite fazer parte de sua vida, quais estão sugando sua energia e o quão realmente bem elas fazem a você;
  • Faça pausas em meio às obrigações do cotidiano, vá tomar um sorvete, um café na padaria ao lado de seu trabalho, um suco detox. Seja sua melhor companhia;
  • Silencie: pare por alguns segundos ou minutos no seu dia, e se perceba. Veja como estão os seus sentimentos;
  • Quais os conhecimentos você vem adquirindo e buscando? Quais as leituras que você vem fazendo? Cuidado com o tempo perdido nas redes sociais. Cuide de seu intelectual.

 

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5 dicas para você cuidar de sua saúde mental

  1. Aceite você mesmo e as outras pessoas da forma como são;
  2. Aproveite as refeições. Saboreie os alimentos. Se estiver acompanhado, desfrute de boa conversa. Evite assuntos desagradáveis;
  3. Estabeleça um período do dia para se desconectar das tecnologias;
  4. Faça pequenas mudanças na sua rotina, exemplo: mude o trajeto para o trabalho;
  5. Faça exercícios físicos com gasto de energia para liberar o hormônio do stress (cortisol) e aumentar o hormônio da felicidade e do bem-estar (endorfina).

Remédio ou psicoterapia

Quando uma pessoa está com algum sintoma emocional (como: insônia, ansiedade, depressão, compulsão, dificuldade de concentração, labilidade de humor etc.) logo pensa que precisa de um médico. Muito comum alguém indicar um psiquiatra ou nem isto, um médico conhecido para que lhe medique. Por que isto? Por que não se questiona uma ida a um psicoterapeuta ao invés de um médico?

Simples: o psicoterapeuta não pode medicar, ou seja, eliminar sintomas de imediato e é caro, quase que inacessível à maioria da população. Ou pior: “psicólogo é coisa para loucos!” Há muita falta de esclarecimento para a população, por isto a busca de um médico clínico e ou especialista é muito maior que a busca por psicólogos.

Existe ainda um agravante que são os “convênios médicos”, que acabam indicando este ou aquele médico, que com certeza irá medicar os sintomas, ou seja, dar uma solução paliativa para os problemas, mas não irá com certeza curar o paciente. Existe ainda outro agravante: pouco se credencia (nos convênios médicos) psicólogos para fazer psicoterapia, daí o nome “convênio médico”.

Resultado: muita gente sendo medicada com ansiolíticos, antidepressivos e por aí vai, sem um resultado eficaz. Não resolve o problema e cria-se outro: a dependência medicamentosa, o que é muito pior.

Existem medicações imprescindíveis, para serem utilizadas num curto período de tempo, para que o paciente supere a crise e até mesmo compreender seu processo analítico. Como por exemplo: dormir melhor, diminuir a ansiedade e a depressão, poder comer e pensar com mais clareza em seu processo.

Mas nunca medicar e só. Deve-se sempre ser acompanhado por um psicoterapeuta, pelo menos uma vez por semana, para que possa resolver o problema efetivamente. Uma coisa é fazer psicoterapia, onde o paciente irá entrar em contato com o que realmente lhe está fazendo mal e poder decidir ou redecidir o que fazer e desta forma livrar-se do sofrimento. Outra coisa é ficar com o sofrimento latente e drogado para que possa suportar sua dor.

Não acredito que isto deva continuar assim, sendo um grande problema na saúde em geral. Com boa vontade, os donos dos convênios poderiam contratar mais psicólogos que trabalhem com psicoterapia de grupo, que ao meu ver é muito eficaz; e fazer um saneamento na saúde como um todo, sem prejuízo para os convênios e para os conveniados.

Mas não basta os “donos de convênios” terem boa vontade, é necessário que os conveniados sejam esclarecidos, aceitem e busquem ajuda de um psicólogo e que, de preferência, tenha experiência e tenha o real interesse em psicologia (os que mais estudam e tem títulos).

Então, para problemas emocionais, medicação só em último caso, desde que acompanhado por um psicoterapeuta. Fique atento! E quando seu médico lhe receitar “algo para dormir melhor”, lhe questione se não seria o caso de ser encaminhado para um psicólogo credenciado.

Hoje, todo mundo fala em qualidade de vida, pois saiba que a qualidade de vida começa de dentro para fora. Uma pessoa bem equilibrada emocionalmente, com certeza irá melhorar inclusive seu meio externo, da mesma forma que uma desequilibrada, pode tirar toda uma família de seu centro.

Muito já se faz em empresas, que investem em saúde emocional de seus funcionários, com psicoterapia de grupo, além dos belíssimos serviços prestados por seus assistentes sociais.

Psicoterapia de grupo é mais barato, mais eficaz e ajuda a criar vínculos saudáveis.

 

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Tudo gira em torno da culpa

Você já parou para pensar que, quando alguma coisa desagradável acontece, a primeira coisa que as pessoas fazem é procurar um culpado? Quem foi que fez isso??? De quem é a culpa???

Ele (a) é culpado (a) por me abandonar!

Meu chefe não me promove porque ele não gosta de mim!

Meu professor me deu nota ruim porque implicou comigo!

O José bateu o carro porque Maria brigou com ele!

O meu trabalho me tira o sono!

Estou desempregado porque não sabem do meu valor!

Enfim… até Deus é culpado por nossas desgraças!
E daí em diante. Você sempre achará um culpado por sua insatisfação ou infelicidade. Isso é fácil, extremamente fácil! Mas parar para se perguntar qual sua parcela de culpa nisso é que é difícil, mas não muito! Porque aprendemos desde cedo a nos culparmos e buscarmos culpados.

Já no berço, os nossos pais demonstram o quanto estão mal quando não fazemos o que querem, ou que não querem. Exemplo: Diz a mãe: “Olha só o que você fez! Vou ter que arrumar seu quarto de novo! Não tempo pra mais nada. Nem para um banho em paz!”

Imagine você, a quantas chantagens emocionais foi submetido para que se tornasse um culpado compulsivo? O tornar alguém culpado é algo simples e que não é de responsabilidade só dos pais, mas de todo meio social. Na escola, na religião, no trabalho, enfim, em tudo que diz respeito ao processo de socialização, até chegar a um ponto tal que o processo ocorra automaticamente. Desta forma aprendemos, como mecanismo de defesa, a buscarmos os nossos culpados também.

Dos papéis que vivemos na vida: pai, mãe, filho, irmão, amigo, esposa, aluno, funcionário etc., os que mais exercitamos são os papéis de: detetives, delegados e juízes, porque sempre haverá o culpado por algo de ruim que te acontece. Se um raio cair sobre sua cabeça, o culpado será a prefeitura por não ter posto ali um pára-raios!

Fazer culpados é o meio mais rápido e fácil de obter o poder da manipulação. No outro sentido, é o meio mais rápido e fácil de sermos vítimas – o que costuma ser altamente reconfortante pois, nesse caso, nada mais haveria para se fazer!

Pode ser que você diga que não goste do papel de vítima, prefere o de perseguidor ou de salvador. Tanto faz! Você está no jogo da manipulação! Não está livre para ser você! Sem jogo, sem manipulação: há quem viva sem isso? Sim, é claro que sim! São os que, ao invés de buscar/ser culpado, buscam a responsabilidade!

Quando o questionamento sobre algo de ruim ou de bom, começa por você (O que fiz para estar nesta situação? O que pensei quando fiz isso? O que estou sentindo? O que foi que eu falei?) nada acontece à você, a não ser que você permita! Onde fica a sua responsabilidade quando algo te acontece? Nos ombros dos “outros”? Onde você guarda seu poder de julgamento no primeiro impulso mediante a qualquer situação? Escondido em seu lado escuro?

Acontece que os papéis de vítima, salvador ou perseguidor são psicodinâmicos, ou seja, eles mudam, mas sempre há uma preferência, por um ou por outro (o de vítima é o mais comum). É um grande erro! Entrar neste jogo faz mal à saúde física, mental e social. É a nascente das neuroses, das doenças físicas e sociais. Você é o único responsável pelo que pensa, diz, sente e faz; e igualmente responsável pelo que não pensa, não diz, não sente e não faz!

Assumir a responsabilidade que lhe é cabível promove a saúde e o bem estar geral. Será que você é mesmo responsável por quem cativa? Ou o outro também é responsável por se deixar ser cativado? As pessoas estão cada vez mais perdidas com estas questões de responsabilidade emocional, é mais cômodo ser e buscar culpados, é mais fácil de administrar e mais nobre perdoar. Trocar a culpa por responsabilidade, não é fácil, não é socialmente honroso (“Já perdoei!”), mas liberta a mente, seu mundo fica mais leve e seu caminho mais suave.

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