Maiara Domingues

Encontrou no espiritismo uma nova filosofia de vida, de amor, paz, serenidade e entrega ao próximo. Ela escreve reflexões para o dia a dia.

Não te entregues

Os amigos a quem devotaste tuas horas te abandonaram?

Aqueles que elegeste para o convívio mais estreito debandaram, quando a brisa de suspeitas infundadas se levantaram contra ti?

Pessoas a quem confidenciaste questões particulares jogaram ao vento as informações, permitindo que os que não vibram contigo as usassem para agressões pessoais?

Ouvidos aos quais segredaste tuas mais íntimas dificuldades transportaram a lábios inconsequentes as minúcias das tuas dores?

Recebeste dos comensais da tua vida as mais duras críticas, esquecidos do quanto juntos já investiram na afeição?

Acreditas que estás só, difamado, em abandono?

Não te permitas a hora da invigilância e não te aconchegues nos braços da tristeza.

Não concedas forças ao mal que te deseja fraco e dominado.

Pensa que a borrasca que te alcança tem por escopo maior testar as tuas resistências morais.

Lembra que é nos combates mais difíceis que se forjam os líderes e se formam os heróis.

Foi na solidão dos meses de prisão que a adolescente Joanna d´Arc teceu os fios da coragem, que lhe permitiram enfrentar o julgamento arbitrário e a condenação injusta.

Tem em mente que todas as más circunstâncias, que te envolvem, te permitem avaliar, com absoluta precisão, os verdadeiros amigos.

Aqueles que, mesmo que cometas erros, prosseguirão contigo. Não para os aplausos da sandice, mas para colaborar no soerguimento moral de que necessitas.

Permanecerão contigo, mesmo que a fortuna te abandone os cofres e os louros do mundo se transportem a outras cabeças.

Lembra, ademais, que, embora o mundo não te faça justiça, o Celeste Amigo sabe das tuas intenções, dos teus acertos e das tentativas de ajustes.

E olha por ti, todos os dias. Mesmo naqueles que se apresentem com as nuvens carregadas ou os ares anunciem tormentas e furacões.

O Celeste Amigo confia na tua força e investe na tua vitória. Recorda-o e evoca-o nas tuas horas mais amargas.

Tudo é passageiro no mundo e os panoramas se modificam, em minutos e até mesmo, segundos.

O que agora é, poderá deixar de ser logo mais. Quem agora comanda, poderá ser substituído de imediato.

Quem pensa estar de pé, pode se descobrir tombado ao solo.

Não esqueças que o Celeste Amigo está vigilante e providencia, atento, o de que careces.

Pode ser uma lição a mais, um apoio, uma trégua.

Pensa nisso, e não permitas que os raios das estrelas que brilham em teus olhos sejam empanados pelas chuvas torrenciais da tua amargura incontida.

Não apagues do teu semblante a serenidade que informa, aos que passam por ti, que a confiança é o teu escudo e o Divino Amigo segue contigo.

Não concedas vitória aos maus, àqueles que te desejam subjugado e vencido.

Nasceste para crescer, renasceste neste mundo para vencer. Sempre.

Serve-te da prece. Revigora-te na leitura dos ditos do Senhor e segue em frente, hoje, amanhã e depois. Sempre.

 

Redação do Momento Espírita

A última corda

Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho, outros, que ele era sobrenatural.

As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de assistir seu espetáculo.

Numa certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo.

A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro, ovacionado. Mas quando surgiu a figura de Paganini, triunfante, o público delirou.

Nicolo Paganini colocou seu violino no ombro, e o que se assistiu em seguida foi indescritível.

Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias, pareciam ter asas e voar com o delicado toque daqueles dedos virtuosos.

De repente, porém, um som estranho interrompe o devaneio da plateia: uma das cordas do violino de Paganini arrebentara.

O maestro parou. A orquestra parou. Mas Paganini não parou.

Olhando para sua partitura ele continuava a tirar sons deliciosos de um violino com problemas.

O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar.

Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador: uma outra corda do violino do virtuose se rompe.

O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo. Paganini não parou.

Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível.

O maestro e a orquestra, impressionados, voltam a tocar.

Mas o público não poderia imaginar o que aconteceria a seguir: todas as pessoas, pasmas, gritaram: Oohhh!

Uma terceira corda do instrumento de Paganini se quebra.

O maestro para. A orquestra para. A respiração do público para. Mas Paganini… Paganini não para.

Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído.

Paganini atinge a glória. Seu nome corre através do tempo.

Ele não é apenas um violinista genial, mas o símbolo do ser humano que continua diante do impossível.

 

Este é o espírito da perseverança, da criatividade e habilidade perante os obstáculos naturais da vida no mundo.

Lembremos desta história todas as vezes que as cordas de nossos instrumentos se romperem.

Afirmemos no íntimo: Eu sei que posso continuar!

Afirmemos para a alma: Não é qualquer adversidade que irá me derrubar, que irá me fazer desistir!

Perceberemos então, com encanto, que muitas vezes nossas mãos calejadas, obrigadas a retirar sons de uma única corda, estão sendo amparadas por mãos invisíveis de misericórdia.

Nunca estamos sozinhos no concerto da vida na Terra.

À maneira de um público empolgado que incentiva o artista, o invisível nos dá forças, nos alimenta o ânimo, e nos aplaude cada vez que nos superamos.

Continuemos… sem medo, sem hesitação.

Toquemos nossa música da alma para o céu azul ou para as estrelas. Contando com as quatro cordas de nossa rabeca, ou apenas com uma delas.

Não deixemos de tocar.

 

Autor desconhecido

Uma pausa para refletir

Você está feliz com os resultados obtidos com seus esforços ultimamente?

Se está, parabéns! Você está no caminho certo. Mas, se considera que algo não está bem, faça uma pausa para refletir.

Afaste-se da busca pela fama e pelo ouro que ficarão sobre o pó da Terra. Jamais olhe para trás ao fechar a porta ao lamentável tumulto da ganância e da ambição.

Seque as lágrimas de seus fracassos e infortúnios, largue o seu pesado fardo e descanse até que seu coração esteja sereno. Fique em paz.

Sua vida terrena, na melhor das hipóteses, é apenas um piscar de olhos entre duas eternidades.

Não tenha medo. Nada neste mundo poderá prejudicá-lo, a não ser você mesmo. Faça o bem e exulte com suas vitórias sobre si mesmo.

Concentre suas energias. Estar em toda parte é não estar em parte alguma. Seja zeloso do seu tempo, pois esse é um grande tesouro.

Reconsidere seus objetivos. Antes de lançar seu coração com grande empenho em qualquer coisa, verifique se são felizes aqueles que possuem o que você deseja.

Ame sua família e conte suas bênçãos. Ponha de lado os sonhos impossíveis e trate de concluir sua tarefa, por mais desagradável que possa ser. Todas as grandes realizações foram alcançadas através do trabalho e da espera.

Seja paciente. A demora nas respostas divinas jamais é negativa. Espere. Persista.

O que você semear, bem ou mal, será o que irá colher. Nunca culpe os outros pela condição em que você se encontra.

Você é o que é exclusivamente em decorrência de suas próprias opções. Aprenda a conviver com a pobreza honesta, se necessário for.

Dedique-se a coisas mais importantes do que transportar ouro para a sua sepultura.

Enfrente os problemas um de cada vez. A ansiedade é a ferrugem da vida. Quando se acrescentam os fardos de amanhã aos de hoje, eles se tornam insuportáveis.

Recorde a exortação do Mestre de Nazaré: Não se preocupe com o dia de amanhã, pois o amanhã trará suas próprias preocupações. É suficiente o mal que cada dia traz em si mesmo.

Evite o muro das lamentações. Dê graças pelas suas derrotas. Você não as teria recebido se não estivesse precisando delas.

Aprenda com os outros. Seja cauteloso. Não sobrecarregue a sua consciência.

Trabalhe todos os dias como se fosse o primeiro, ao mesmo tempo em que trata as vidas em contato com a sua como se todas fossem terminar à meia-noite.

Ame a todos, até mesmo aqueles que o maltratam, pois o ódio é um lixo que não devemos nos permitir. Procure ajudar e confortar os necessitados.

Acima de tudo, lembre-se de que é necessário muito pouco para uma vida feliz.

Confie em Deus e percorra serenamente a sua trilha para a eternidade com lucidez e um sorriso. Quando partir, que todos digam que o seu legado foi um mundo melhor do que aquele que encontrou.

Não programe a sua felicidade dentro dos padrões tradicionais que a ambição estabeleceu e os preconceitos mantêm.

A felicidade verdadeira independe dos valores externos, sempre transitórios, sem maior significado, além daquele que lhe atribuem.

 

Redação do Momento Espírita, com base em pensamentos do livro O maior presente do mundo, de Og Mandino/Buddy Kaye, ed. Record e com transcrição do Evangelho de Mateus, cap. 6, versículo 34

A visita de Jesus

Para aquelas crianças, o Natal era uma data um pouco triste. A casa era pobre e tinha somente alguns itens de cozinha, um sofá antigo, uma televisão.

Elas sabiam que o Natal estava chegando pelos intermináveis anúncios televisivos que convidavam a comprar muitos e muitos brinquedos, presentes maravilhosamente embrulhados, caixas lindíssimas. E havia sempre novidades, que enchiam os olhos.

Além disso, as novelas, os filmes, os desenhos infantis, tudo mencionava o Natal. E havia ceia com muita comida, doces, pães, refrigerantes, sucos.

Tudo aquilo dava água na boca, mas ficava muito distante da realidade deles. O salário do pai cobria as necessidades, nada mais. Nenhum presente sequer poderia ser pensado, sonhado. Nenhum, por menor que fosse.

Havia algo, no entanto, especial, na noite natalina. A mãe, que sempre preparava o prato de cada um, para dividir tudo igualmente, nesse jantar desenhava um coração com a comida.

Ela colocava o arroz no meio do prato e ia separando com os dedos para a borda, até formar um coração vazio no meio.

Então, ela enchia o desenho com uma concha de feijão e se houvesse qualquer coisinha a mais, talvez alguma mistura, colocava bem do ladinho, para não estragar o contorno.

Todos se reuniam em torno da mesa e oravam, repetindo as palavras da mãe: Jesus, que bom que você chegou!

E se recolhiam na Noite Santa, pensando naquele Jesus que nascera em um estábulo, Luz do mundo, Rei da vida.

Mais recentemente, a mãe de família participou de oficinas de costura e culinária.

E a vida da família melhorou. A costura e a culinária começaram a render frutos, quase de imediato. O panorama se alterou.

Então, no último Natal, mesmo sem árvore enfeitada com bolas e velas coloridas, sem embrulhos de presente, algo muito especial aconteceu.

O pai confeccionou uma grande placa e colocou na frente da casa, com os dizeres: Que bom que você chegou!

Na cozinha, uma grande movimentação. Parecia que se cozinhava para um batalhão. E, ante a indagação das crianças, esclareceu a mãe:

Jesus vem para a ceia hoje, meus amores. Seu pai e eu o convidamos, pessoalmente. Ele virá com fome e com sede. Precisamos estar preparados.

Quando caía a noite, foi chegando Jesus, de roupa simples, com barba, sem barba. E as crianças foram descobrindo que Jesus era negro. Era branco. Era homem. Era criança. Era mulher.

E cada um recebia aquele prato com um coração de arroz, cheio de feijão. E sorria. E se deliciava.

Alguns, quando sorriam, diante da refeição quentinha, mostravam a boca com poucos dentes.

Acho que foi por isso que a mãe fez comida que não precisa mastigar tanto. – Pensou a menorzinha.

Faltando pouco para a meia-noite, a família se reuniu para agradecer. A oração se elevou, num coro: Jesus, que bom que você chegou!

E a alegria do verdadeiro Natal iluminou todos os corações. A casa parecia um palácio feito de luz.

Quem tivesse um pouco de sensibilidade para perceber o que acontecia além da matéria, poderia ouvir o cântico celestial se repetindo: Glória a Deus nas alturas. Paz na Terra, boa vontade para com os homens.

 

Redação do Momento Espírita, com base no artigo Que bom que você chegou, de Ana Guimarães, da Revista Cultura Espírita, de dezembro 2016

Otimismo sempre

Você já deve ter se deparado com a ideia figurada do copo com água pela metade e a velha pergunta: O copo está meio cheio ou meio vazio?

As conclusões em torno dessa recorrente metáfora são a respeito de como vemos o mundo, as situações, as ocorrências em nossa vida.

Avaliam muitos que ver o copo meio cheio é muito mais otimista do que vê-lo como meio vazio.

Porém a pergunta é: Vale a pena ser otimista? Ou ainda, o que é ser otimista?

São vários os estudos médicos que trazem indicativos a respeito da vantagem de ser otimista.

Esses apontam uma maior longevidade, melhor qualidade de vida, saúde mais estável.

Se alguns se fazem otimistas por sua própria natureza, por seu posicionamento perante a vida, como se constrói o otimismo naqueles de nós que parecemos sempre ver o copo meio vazio?

Como entender o mundo com otimismo?

Talvez um bom caminho seja começar com o entendimento da existência de Deus.

Um Universo milimetricamente organizado, da intimidade nanométrica de um cromossomo às grandezas infinitas celestiais, não é obra do acaso.

Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Logo, Deus existe.

Da existência de Deus, chega-se à conclusão de que suas ações, atitudes e essência são de amor.

Como sintetizou João, o Evangelista: Deus é amor.

Fruto do Seu amor são todas as coisas que nos cercam.

O simples fato de termos nascido, o corpo que usufruímos, as condições de vida de que dispomos, tudo isso é o toque e o reflexo do amor de Deus sobre nós.

É verdade que muitas vezes não gostaríamos de ter um corpo mutilado, limitado, adoentado.

Tantas vezes anelamos condições melhores para nossa vida, sejam de caráter econômico, social ou emocional.

Porém, como um Pai amoroso e ciente, Deus nos oferece aquilo de que precisamos, e não aquilo que, muitas vezes, infantilmente, desejamos.

Assim, a doença, as dificuldades, as limitações físicas, são lições que a Providência Divina nos oferta para nossa aprendizagem.

Os embates da vida, a família difícil, os perrengues naturais do cotidiano, são oportunidades de aprendizado que ainda nos cabe completar.

Porque somos Espíritos destinados à perfeição, muito temos a aprender, sendo a vida a escola por excelência.

Assim, tudo que nos acontece deve ser entendido como lição.

Mesmo as consequências de nossas atitudes insensatas, são lições que nos aconselham a não repeti-las para mais não sofrer.

Tudo se encontra sob os auspícios da Divindade.

Como Deus nos ama infinitamente, sempre nos ocorre o que seja melhor para nossa vida.

Lembremos, portanto, que ser otimista é guardar a certeza de que somos filhos de Deus, herdeiros do Universo.

É entender que cada dia Deus provê nossas necessidades, como nos ensinou Jesus.

Finalmente, compreender que esse entendimento, misto de otimismo e gratidão, nos faz melhores, mais felizes, mais plenos e em harmonia perante tudo o que nos cerca.

 

Redação do Momento Espírita

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