Maiara Domingues

Encontrou no espiritismo uma nova filosofia de vida, de amor, paz, serenidade e entrega ao próximo. Ela escreve reflexões para o dia a dia.

Agir ou reagir?

Vez ou outra ela nos alcança. É a violência que existe nas almas e se exterioriza em palavras e ações grosseiras.

Por vezes, a impressão que temos é que a grande maioria dos seres anda armada contra seu semelhante.

São funcionários em estabelecimentos comerciais ou serviços públicos que parecem abarrotados de tarefas e, por isso mesmo, estressados.

Basta que peçamos algo a mais e pronto: lá vem uma resposta grosseira, que soa como um desabafo.

Às vezes, o que diz o funcionário não é verdadeiramente grosseiro, mas o tom de voz ou a inflexão que imprime aos seus vocábulos, agride.

São clientes que aguardam o atendimento nota dez e reclamam por não ser como desejavam.

Assim, em consultórios, é bastante comum ouvirmos reclamações acerca do atraso do profissional.

O telefone tem se tornado uma arma violenta, na boca de muitos. Através dele, as criaturas se permitem gritar, esbravejar e dizer palavras que, normalmente, face a face, corariam de vergonha em utilizar.

Pelas mídias sociais, a violência se mostra, diariamente, nos comentários amargos, críticas terríveis, como se todos tivéssemos sido eleitos juízes do comportamento alheio.

Por tudo isso é deveras importante que principiemos a nos exercitar para agir nas mais intrincadas situações, a fim de evitar cedermos à onda de agressividade e má educação, que parece levar de roldão a quase todos.

Usar expressões mágicas como: Por favor, Seria possível, Poderia me fazer a gentileza, Com licença, funcionam muito bem.

Contudo, nos prepararmos para desarmar quem agride, é imprescindível, mesmo para evitar sermos envolvidos em situações constrangedoras.

Ante um funcionário que reclama do que lhe é solicitado, podemos demonstrar solidariedade, com frases como: Você deve estar tendo um dia difícil! ou Este trabalho é desgastante, não é mesmo?

Perante o cliente aborrecido pela mercadoria não recebida, no prazo estipulado, ou pelo horário não respeitado, nos mostrarmos dispostos a ajudar, verificar as razões da demora e informar com paciência.

Temos, de um modo geral, medo de pedir desculpas, pois acreditamos que isso significa estar assumindo um erro, que nem sempre é nosso.

Entretanto, desculpar-se significa tomar ciência da frustração do cliente e atender a sua reclamação.

Em todo momento, buscar soluções é melhor do que perdermos tempo com discussões e resolve os problemas, antes que mais se agravem.

Promover a paz nem sempre significa sentar-se à mesa internacional das negociações para decidir sobre a extinção de minas terrestres ou de armas nucleares.

Mas, com certeza, quer dizer desarmar-se, amar-se e amar o próximo, propondo e dispondo-se à calma, à sensatez e ao entendimento.

Um sábio, andando pelas terras do Oriente, cantou versos de paz, dizendo Bem-aventurados os mansos e pacíficos porque serão chamados filhos de Deus.

Isso nos estimula a sermos amáveis, gentis com o próximo e promovermos a paz. Porque ser pacífico é ser amigo da paz.

Dessa forma, realizemos o imprescindível investimento em prol da nossa paz interior, que se estenderá ao nosso redor, beneficiando quem conosco conviva, trabalhe ou simplesmente cruze nossos caminhos.

 

Redação do Momento Espírita

Os primeiros lugares

Contou-nos uma pessoa, que foi trabalhar algum tempo num país europeu e que várias vezes identificou marcantes diferenças entre as atitudes deles e as nossas.

A forma de resolver problemas, a maneira de conduzir-se perante determinadas dificuldades no ambiente de trabalho etc.

Nas suas observações, percebeu que tinham alguns comportamentos muito próprios e incomuns entre nós.

Em verdade, ela jamais imaginara que com eles aprenderia uma extraordinária lição. Algo que a faria admirá-los e seguir-lhes o exemplo.

No seu primeiro dia de trabalho, um colega da empresa a veio apanhar em casa e eles seguiram, juntos, no carro dele.

Ao chegarem, ele entrou no estacionamento, uma área ampla para mais de duzentos carros.

Como haviam chegado cedo, poucos veículos estavam estacionados, entretanto, o rapaz deixou o seu carro parado logo na entrada, próximo ao portão.

Assim, ambos tiveram que caminhar um trecho considerável, até chegarem efetivamente à porta da empresa.

No segundo dia, o fato se repetiu. Eles tornaram a chegar cedo e, novamente, o carro foi deixado próximo da entrada do estacionamento.

Outra vez tiveram que atravessar todo o extenso pátio até chegarem ao escritório.

No terceiro dia, bastante intrigada, ela não se conteve e perguntou ao colega:

Por que você deixa o carro tão distante, quando há tantas vagas disponíveis? Por que não escolhe uma vaga mais próxima do acesso ao nosso local de trabalho?

A resposta foi franca e rápida:

O motivo é muito simples. Nós chegamos cedo e temos tempo para andar, sem perigo de nos atrasarmos. Alguns dos nossos colegas chegam quase em cima da hora e se tiverem que andar um trecho longo, correm o risco de se atrasarem.

Assim, é bom que encontrem vagas bem mais próximas, ganhando tempo.

O gesto pode ser qualificado de companheirismo, coleguismo. Não importa. O que tem verdadeira importância é a consciência de colaboração.

Ela recordou que, algumas vezes, em estacionamentos, no Brasil, vira vagas para deficientes sendo utilizadas por pessoas não deficientes.

Só por serem mais próximas, ou mais cômodas.

Recordou dos bancos reservados a idosos, gestantes em nossos transportes coletivos e utilizados por jovens e crianças, sem preocupação alguma.

Lembrou de poltronas de teatros e outros locais de espetáculos tomadas quase de assalto, pelos mais ágeis, em detrimento de pessoas com certas dificuldades de locomoção.

Pensou em tantas coisas. Reflexionou. Ponderou…

E nós? Como agimos em nossas andanças pelas vias do mundo? Somos dos que buscamos sempre os lugares mais privilegiados, sem pensar nos outros?

Alguma vez pensamos em nos acomodar nas cadeiras do centro do salão, quando vamos a uma conferência, pensando que os que chegarem em cima da hora, ocuparão as pontas, com maior facilidade?

Pensamos, em alguma oportunidade, em ceder a nossa vez no caixa do supermercado a uma mãe com criança ou alguém que expresse a sua necessidade de sair com mais rapidez?

Pensemos nisso. Mesmo porque, há pouco mais de dois milênios, um rei que se fez carpinteiro, ensinou sabiamente:

Quando fordes convidados a um banquete, não vos assenteis nos primeiros lugares…

O ensino vale para cada dia e situação das nossas vidas.

 

Redação do Momento Espírita

O poder da determinação

O garoto era encarregado de chegar mais cedo, todos os dias, e acender o antiquado fogão, a fim de aquecer a sala, antes da chegada da professora e dos colegas.

Era uma escola rural e todos os dias, o menino atendia à sua obrigação.

Certa manhã, quando chegaram a professora e os meninos, a escola estava em chamas. O garoto foi retirado inconsciente do prédio. Mais morto do que vivo.

De sua cama, ele pôde ouvir o médico dizendo para sua mãe que ele não tinha chances de viver. Morrer seria uma bênção para ele, pois o fogo tinha arrasado toda a parte inferior do seu corpo.

Mas o corajoso menino decidiu que iria viver. Tanto lutou que sobreviveu.

Então, outra vez, ele ouviu o mesmo médico dizendo para sua mãe que ele estava condenado a viver como um inválido. Seus membros inferiores estavam inutilizados.

De novo, o garoto tomou uma decisão: ele voltaria a andar, não importa o que custasse.
Infelizmente, da cintura para baixo, ele não tinha controle motor. As suas pernas finas estavam ali penduradas, inúteis.

Quando recebeu alta do hospital, sua mãe o levou para casa. Todos os dias, ela massageava as suas pernas. Mas ele não sentia nada.

Nem sensação, nem controle, nada. Contudo, não desistia. Ele queria voltar a andar.

Certo dia, a mãe o colocou na cadeira de rodas, e o levou para o quintal, para tomar sol.
Ele ficou ali, olhando a cerca, a poucos metros. Então, se jogou no chão e se arrastou pela grama, até a cerca.

Com um esforço imenso, agarrou-se a ela, se levantou e começou a se arrastar, estaca após estaca.

Estava decidido a andar. Fez isso em todos os outros dias, até ter aplainado um caminho, em volta do quintal, junto à cerca.

Ele queria andar. E andaria. Ele daria vida outra vez àquelas pernas.

Por fim, depois de massagens diárias e muita determinação, ele conseguiu a habilidade de ficar de pé, dar uns passos, embora vacilantes.

Finalmente, caminhar. Ele começou andando até a escola. Logo, decidiu que chegaria correndo. Pelo simples prazer de correr.

Muitos anos depois, na faculdade, ele entrou para a equipe de atletismo.

Mais tarde, esse jovem que ninguém esperava que sobrevivesse, que diziam jamais voltaria a andar, muito menos correr, bateu o recorde mundial de velocidade em uma corrida de uma milha, no Madison Square Garden. Seu nome: Doutor Glenn Cunningham.

Determinação tem a ver com vontade. E vontade acionada é certeza de objetivo alcançado.
Para isso, no entanto, se fazem necessários alguns fatores como o real desejo de querer, a persistência na execução do programa que seja estabelecido e o objetivo a alcançar.

Dessa forma, se temos um objetivo nobre, persigamo-lo sem cansaço, guardando a certeza de que haveremos de atingi-lo, em algum momento.

Importante: esqueçamos frases como não posso. Ou não tenho grande força de vontade quanto gostaria.

Trata-se de querer, trabalhar pela conquista, perseverando até o fim.

Redação do Momento Espírita

Renascendo das cinzas

O termo resiliência se deslocou do mundo da física para o comportamental. Em princípio, traduz a capacidade de um corpo se deformar por conta de agentes externos e, em seguida, se recuperar.

No campo comportamental, o papel da resiliência corresponde à capacidade humana de enfrentar, vencer e sair fortalecido de situações adversas.

Ser resiliente é um processo que se ativa dentro de nós de acordo com as necessidades impostas pelas dificuldades da vida.

Todos dispomos dessa ferramenta e ela se fortalece através das características pessoais de cada um.

Tais características determinam nossa maneira de enxergarmos uma situação penosa, bem como a forma pela qual reagimos diante dela.

Uma jovem que se tornou viúva na reta final de sua gravidez, escreveu:

Um homem tem uma morte súbita dois meses antes do nascimento do seu único filho. Assim nasce esse blog, tentando entender e explicar dois sentimentos opostos e simultâneos vividos pela viúva e mãe, que, no caso, sou eu. Uma pressa em falar para Francisco sobre seu pai, sobre o mundo e sobre mim mesma.

Para conseguir lidar simultaneamente com duas emoções tão fortes e contrárias – de um lado o luto e, de outro, as alegrias da maternidade, ela criou o blog, a fim de contar ao filho as histórias dela e do pai.

Eu não queria deixar de viver o luto porque tinha acabado de me tornar mãe. E não queria deixar de ficar feliz por ter acabado de me despedir do meu amor, conta ela.

Mais tarde, as histórias se transformaram em um livro, intitulado Para Francisco.

Resiliência.

Cada dia é uma nova oportunidade diante dos sonhos a serem realizados, dos objetivos a serem alcançados, dos limites a serem superados.

Os desafios são inúmeros, é verdade. As dores, por vezes, enormes, parecendo quase insuportáveis. As lágrimas, incontáveis.

Todavia, o sofrimento é responsável por nos fazer descobrir quem realmente somos, distanciando-nos das ilusões que possuímos acerca de nós mesmos.

Quando nos julgamos pobres, o desafio das minguadas condições materiais nos ensina que o pouco é sempre mais do que suficiente.

Quando reclamamos de nossa família, imperfeita e desarmoniosa, as lágrimas saudosas do ente querido que retornou para o outro plano da vida nos mostram o quão felizes somos na companhia de nossos familiares.

Quando nos esquecemos dos amigos e, egoístas, nos negamos a estar em sua companhia, a dor da solidão nos recorda de que a mão de Deus nos alcança através do nosso próximo.

A mitologia nos fala de uma ave de penas brilhantes, douradas e vermelho-arroxeadas que, após viver muitos anos, ao se aproximar sua morte, entra em autocombustão, renascendo das próprias cinzas, algum tempo depois.

O que nos falta para renascer, sorrir e sermos felizes?

Podemos, sob a luz da resiliência, transformar as lágrimas ontem derramadas nessa capacidade de enxergar todas as possibilidades do hoje, do amanhã e de nós mesmos.

Pensemos nisso!

 

Redação do Momento Espírita, com base em dados biográficos de Cristiana Guerra

Dores que ensinam

O expediente de trabalho terminara e alguns colegas permaneciam, no local, em conversa amena.

Entre um assunto e outro, um deles comentou a respeito da nova colega.

Dizia que a imaginava um tanto esnobe, pretensiosa mesmo. Porém, se surpreendeu por constatar que, ao contrário do seu conceito preestabelecido, ela se mostrara simples, cordial, amável mesmo.

Os demais acrescentaram comentários, no mesmo sentido, até que foram interrompidos por outro colega.

Eu conheço Sílvia, há bastante tempo, comentou, desde quando éramos adolescentes. Ela veio de uma família abastada. Nunca lhe faltou nada. Teve educação primorosa, frequentando os melhores colégios.

Seu pai, muito amoroso, era também um grande professor da universidade local, respeitado, elegante, um verdadeiro fidalgo.

Foi nesse meio que ela cresceu e sempre se mostrou envaidecida, não somente pelos seus recursos financeiros, também pela família estruturada, um pai amável, o nome de família. Enfim, tudo isso lhe constituía fonte de presunção.

Porém, a vida não lhe foi tão tranquila, na sequência dos anos.

Eram três irmãos, sendo ela a caçula e bem mais nova.

Sua irmã, a primogênita, tinha sérios problemas emocionais. Engravidou cedo, e logo se mostrou totalmente incapaz de criar o filho.

Em razão disso Sílvia assumiu o sobrinho, tomando para si todas as responsabilidades naturais da maternidade.

Os anos se passaram. Seu irmão mais velho, antes dos cinquenta anos, sofreu um grave acidente vascular cerebral (AVC), permanecendo em coma por quatro anos.

Sua esposa, vendo a doença que se estendia, ao longo dos meses, o abandonou.

Os pais precisaram montar todo um aparato, uma verdadeira unidade de terapia intensiva, em casa, a fim de atendê-lo. A fortuna foi sendo dilapidada, pelo custear de tão caro tratamento.

Com a morte do filho e da filha, que sucumbiu, vitimada por um câncer, o pai, alquebrado pelas dores, foi definhando até a morte, como quem houvera desistido de viver.

Dessa forma, Sílvia, de uma família abastada e bem estruturada, viu-se só, responsável pela mãe, às portas da velhice, exigindo-lhe cuidados.

Reencontrei-a há pouco, e percebi que daquela jovem vaidosa, nada permaneceu.

Naturalmente conversamos a respeito da vida, dos anos, e disse-lhe o quanto ficava condoído por tantas dores pelas quais ela houvera passado.

Porém, ao invés de lamúrias, ela me disse:

“Agradeço todas as dores que a vida me ofertou. Elas me deixaram feridas, cicatrizes que, aos poucos, vão se curando.

Mas foram elas quem me ensinaram as melhores virtudes que hoje carrego na alma. As dores me ensinaram a paciência para entender que o tempo de Deus é mais sábio que o tempo de nossa ansiedade.

Ensinaram-me humildade, para perceber que tudo na vida é passageiro, e nada nos pertence.

E, finalmente, me ensinaram a fé, para compreender que tudo está nas mãos de Deus. É Ele quem nos guia pelos melhores caminhos”.

Quando concluiu sua narrativa, um silêncio convidando à reflexão se fez entre os colegas.

Uma reflexão que levava a ponderar como a dor ensina, enobrece, dignifica, quando a sabemos receber com resignação.

Em síntese, quando sabemos dela extrair o melhor, ou seja, quando sabemos bem sofrer.

 

Redação do Momento Espírita, baseado em fato.

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