Maiara Domingues

Encontrou no espiritismo uma nova filosofia de vida, de amor, paz, serenidade e entrega ao próximo. Ela escreve reflexões para o dia a dia.

Cantando saudades

É comum nos darmos conta do valor de quem conviveu próximo a nós, quando essa pessoa realiza a sua viagem para o Grande Além.

É como se de repente tudo o que ela representava nos assomasse à memória, numa sucessão de cenas.

É o momento em que temos, ao lado do sentimento de perda física, um misto de arrependimento por não termos usufruído um tanto mais daquela presença.

E, na medida que ouvimos comentários de outros a respeito dos benefícios realizados por aquele que se foi, da influência salutar de sua vida em outras vidas, mais aumenta esse sentimento de quem perdeu alguém muito precioso.

Alguém que nem sabíamos que nos faria tanta falta.

Possivelmente, iremos recordando e repassando uma vez, e mais outra, os momentos vividos ao seu lado, os conselhos recebidos, as histórias ouvidas.

E, ao lado do arrependimento por ter deixado passar tantas oportunidades, uma leve tristeza nos toma a alma.

Uma saudade dolorida se instala.

Talvez sentindo exatamente isso, é que aquele compositor escreveu: Naquela mesa ele sentava sempre e me dizia o que é viver melhor.

Naquela mesa ele contava histórias que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente e contava contente o que fez de manhã.

E nos seus olhos havia tanto brilho que mais que seu filho eu fiquei seu fã.

E descrevendo a dor da ausência, continua nos versos seguintes:

Eu não sabia que doía tanto uma mesa num canto, uma casa e um jardim.

Sim, todo lugar que olhamos, grita a ausência daquela presença que conferia um toque especial a cada recanto.

A mesa, materialmente falando, é a mesma. No entanto, falta-lhe brilho, porque o amigo, o familiar, o amado não está ali.

A casa, o jardim tudo pode continuar a ser conservado, cuidado. Mas tiveram diminuídos seus valores porque quem os abrilhantava, não mais se faz presente.

É a ausência do riso, da fala, da alegria, da voz.

Conforme o inspirado compositor: Hoje ninguém mais fala do seu bandolim…

Naquela mesa está faltando ele e a saudade dele está doendo em mim.

 

A saudade é recíproca. Quem fica a sente intensificar a cada dia. E quando pensa que não poderá doer mais, descobre que o peso daquela ausência ficou muito maior.

Por outro lado, os que partem também sentem saudades. Saudades do ninho onde foram felizes, das brincadeiras com os filhos, dos mil nadas do matrimônio, que fazem a grande diferença.

Eles, de certa forma, se ressentem, quando nos visitam, nos abraçam, nos enviam todo o seu amor em vibrações e nós não os percebemos.

Nunca será demais insistirmos em como se faz de importância, nesse mundo de transitoriedades, usufruirmos da companhia dos amores, enquanto estamos a caminho com eles.

Gravar na retina da alma os momentos de felicidade. Os primeiros passos do filho, as alegrias das festas em família, o aconchego do lar.

Pensemos nisso e não percamos essas oportunidades que enchem a alma, hoje. E, amanhã nos servirão para abrandar a imensa saudade das ausências…

 

Redação do Momento Espírita, com citação de versos da música Naquela Mesa, de Sérgio Bittencourt

Campanha da gentileza

O executivo estava na capital e entrou em um táxi com um amigo. Quando chegaram ao destino, o amigo disse ao taxista: Agradeço pela corrida. O senhor dirige muito bem. E, ante o espanto do motorista, continuou: Fiquei impressionado em observar como o senhor manteve a calma no meio do trânsito difícil. O profissional olhou, um tanto incrédulo, e foi embora.

O executivo perguntou ao amigo por que ele dissera aquilo.

Muito simples. – Explicou ele. Estou tentando trazer o amor de volta a esta cidade e iniciei com uma campanha da gentileza.

Você sozinho? – Disse o outro.

Eu, sozinho, não. Conto que muitos se sintam motivados a participar da minha campanha. Tenho certeza de que o taxista ganhou o dia com o que eu disse. Imagine agora que ele faça vinte corridas hoje. Vai ser gentil com todas as vinte pessoas que conduzir, porque alguém foi gentil com ele. Por sua vez, cada uma daquelas pessoas será gentil com seus empregados, com os garçons, com os vendedores, com sua família. Sem muito esforço, posso calcular que a gentileza pode se espalhar pelo menos em mil pessoas, num dia.

O executivo não conseguia entender muito bem a questão do contágio que o amigo lhe explicava.

Mas, você vai depender de um taxista!

Não só de um taxista, respondeu o otimista. Como não tenho certeza de que o método seja infalível, tenho de fazer a mesma coisa com todas as pessoas que eu contatar hoje. Se eu conseguir que, ao menos, três delas fiquem felizes com o que eu lhes disser, indiretamente vou conseguir influenciar as atitudes de um sem número de outras.

O executivo não estava acreditando naquele método. Afinal, podia ser que não funcionasse, que não desse certo, que a pessoa não se sensibilizasse com as palavras gentis.

Não tem importância, foi a resposta pronta do entusiasta. Para mim, não custou nada ser gentil.

Você já pensou como seria bom se agradecêssemos ao carteiro por nos trazer a correspondência em nossa residência?

Ao médico que nos atenda, ao balconista, ao caixa do supermercado…

E a um professor, então? Quantos se mostram desestimulados porque ninguém lhes reconhece o trabalho! Se receber um elogio, se alguém lhe disser como é bom o trabalho que está realizando com seu filho, como ele influenciará todos os alunos das várias classes em que leciona! E cada aluno levará a mensagem para suas casas, seus amigos, seus vizinhos.

Pode não ser fácil, mas se pudermos recrutar alguém para a nossa campanha da gentileza…

Diz um provérbio de autoria desconhecida que as pessoas que dizem que não podem fazer, não deviam interromper aquelas que estão fazendo alguma coisa.

Pensemos nisso e procuremos nos engajar na campanha da gentileza.

Pode não dar certo com uma pessoa muito mal-humorada. Mas também pode ser que ela se surpreenda por ser cumprimentada, e responda. Melhor do que isso: pode ser que ela decida cumprimentar alguém. E, em fazendo isso, se sinta bem. E passe a cumprimentar as pessoas todos os dias.

Assim estaremos espalhando o gérmen da gentileza, que torna as pessoas mais próximas umas das outras.

Uma campanha que espalha confiança, tranquilidade…

Pensemos nisso e façamos nossa adesão à campanha da gentileza, transformando a nossa cidade num oásis de paz.

 

Redação do Momento Espírita

Você é capaz

Conta-se que, numa tarde nublada e fria, duas crianças patinavam, sem preocupação, sobre um lago congelado.

De repente, o gelo se quebrou e uma das crianças caiu na água.

A outra, vendo que seu amiguinho se afogava debaixo da camada de gelo, pegou uma pedra e começou a golpear com todas as suas forças, até que conseguiu quebrá-la e salvá-lo.

Quando os bombeiros chegaram e viram o que havia acontecido, perguntaram ao menino:

Como você fez isso? É impossível que você tenha quebrado o gelo com essa pedra e suas mãos tão pequenas!

Naquele instante, apareceu um ancião e disse:

Eu sei como ele conseguiu.

Todos perguntaram: Como?

E o ancião respondeu:

Não havia ninguém por perto para lhe dizer que não conseguiria fazê-lo!

É bem possível que você já tenha desistido de algum projeto, ou deixado de tentar, porque havia alguém ao seu lado para dizer que você não seria capaz.

É bem provável que, em algum momento, você tenha fraquejado diante de um empreendimento porque alguém demonstrou falta de confiança em seu potencial de realização.

Muitos de nós somos demasiadamente influenciáveis pelos que nos rodeiam.

O que devemos levar em conta, nesse contexto, é que nem todas as pessoas têm a mesma disposição e a mesma visão das situações. O que para uma parece impossível, para outra é de fácil concretização.

Existem, também, pessoas extremamente pessimistas, que enxergam barreiras em tudo. E outras são exageradamente entusiastas, e até um tanto inconsequentes.

Assim sendo, é importante que cada um saiba avaliar seu próprio potencial e se disponha a realizar o melhor para sua vida.

 

Quantas vezes você pensou em desistir, em deixar de lado ideais e sonhos…

Quantas vezes bateu em retirada, com o coração amargurado pela injustiça…

Quantas vezes sentiu o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir…

Quantas vezes sentiu solidão, mesmo tendo pessoas à volta…

Quantas vezes falou, sem ser notado…

Quantas vezes lutou por uma causa perdida…

Quantas vezes voltou para casa com a sensação de derrota…

Quantas vezes as lágrimas teimaram em cair, justamente quando precisava parecer forte…

Quantas vezes pediu a Deus um pouco mais de força, um pouco mais de luz…

A resposta sempre acaba vindo, seja lá como for: um sorriso, um olhar de aprovação, um cartão, um bilhete, um gesto de gratidão, de amor…

E você insiste!

Insiste em prosseguir. Em acreditar mais uma vez, em transformar, em dividir, em estar, em ser…

E você sabe por que insiste em continuar?

Porque sabe que tem uma missão a cumprir.

Por essas e outras razões, tenha sempre em mente que você é capaz, senão Deus não teria lhe confiado essa missão que só você é capaz de realizar.

 

Redação do Momento Espírita

Modelos

Que modelos temos apresentado aos nossos filhos para que eles possam seguir? Às vezes, buscamos modelos de longe, nomes expressivos que tenham realizado grandes benefícios para a Humanidade.

Se são autênticos, naturalmente falam à alma do jovem, que é idealista por natureza. Contudo, existem, por vezes, criaturas bem próximas a nós, que não valorizamos devidamente.

Avós, parentes, amigos que traduziram sua vida em legado de paz, que sacrificaram tudo por seus ideais, que exerceram suas atividades para além do dever.

Lemos, certa feita, acerca de um prisioneiro político romeno que somente aos setenta e seis anos, graças à queda do regime, pôde visitar seus filhos e conhecer seus netos.

Um homem de setenta e seis anos, de profundos olhos azuis que, apesar de toda a dureza e maus-tratos sofridos na prisão, manteve seu entusiasmo pela vida, na certeza de que tudo valera a pena.

Mesmo o sacrifício da família, do prestígio, do poder que gozava. Contemplando o mar, nas areias das praias americanas, comendo batatas fritas e aprendendo com os netos a atirar um disco de plástico, exclamava:

Que belo sonho. Que maravilha. A vida vale a pena ser vivida em toda sua plenitude.

Um de seus netos, alguns dias depois, precisou escrever uma redação para a escola. Durante várias horas ele trabalhou duro, sobre as folhas de papel. Quando terminou, leu em voz alta, para sua mãe emocionada:

Conheci um verdadeiro herói. O pai de minha mãe foi parar na cadeia por falar abertamente contra o governo. Depois de seis anos de solitária prisão, ele foi libertado.

Minha mãe, meu tio e minha avó saíram do país. Ele não foi autorizado a ir embora com eles. Sozinho, ficou em seu país amargando a dor da separação e o desrespeito de amigos e parentes que o consideravam um fracassado.

Ouvir falar de meu avô fez com que eu entendesse que lutar por minhas crenças é muito importante para mim.

Na quinta série escrevi à professora uma carta de protesto porque considerei que ela tomara uma decisão injusta em relação a um de meus amigos. Atualmente, sou o representante da turma no Conselho de alunos e estou lutando com firmeza para melhorar nossa escola.

Tenho orgulho de meu avô romeno. Espero em Deus que possa vê-lo outra vez.

O exemplo é nobre e, como percebemos, estabeleceu rumos dignos a outras vidas. Sua lição foi a de que não devemos silenciar nossa voz na defesa dos valores e da verdade. Ao contrário, devemos falar para sermos ouvidos. Senão, como já aprendemos a sentir, sempre haverá uma parte em nós que permanecerá insatisfeita.

Lutar pelos ideais de enobrecimento é ensinamento que não devemos relegar a segundo plano, em se falando de nossos filhos, nossos tesouros e responsabilidade maior.

Aproveitemos todas as lições com que a vida nos honra as horas. Estejamos atentos, tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir.

Os exemplos passam ao nosso lado e suas experiências são lições significativas que não podemos ignorar.

 

Redação do Momento Espírita, com base no artigo O que os heróis nos ensinam, da Revista Seleções Reader’s Digest, de fevereiro de 1998

Liberdade para ser feliz

No mundo em que vivemos, observamos situações repetidas, que acontecem motivadas pelo nosso orgulho e egoísmo, quando sobrepomos a satisfação dos nossos desejos aos dos familiares, especialmente dos nossos filhos.

Por vezes, isso acontece por não dialogarmos com clareza, ou por não aceitarmos os seus sonhos.

Recordamos daquele pai bem sucedido na vida, que alcançara o pleno sucesso que para si idealizara.

Quando seu jovem filho foi convidado, por um dos seus professores, a estagiar em seu escritório, por lhe reconhecer a capacidade e desejar que a desenvolvesse, ele não permitiu.

Mostrou-se indignado, dizendo que quem pode ser patrão não precisa ser empregado.

Sem se dar conta do olhar desolado do rapaz, o levou para sua empresa, deu-lhe um computador e o manteve ao seu lado.

Orgulhoso, a todos o apresentava como seu sucessor, sequer se dando conta da insatisfação do filho e da sua quase nula atividade.

O jovem alimentava outros sonhos. Sentia-se ansioso para voar com suas próprias asas e em outros céus.

Finalmente, concluída a Faculdade de Direito, ele disse ao pai que resolvera trabalhar na área escolhida, criando seu próprio espaço.

Para o pai, foi um grande golpe que precisou administrar a duras penas. Um dissabor que poderia ter sido evitado com um pouco mais de compreensão, diálogo, buscando o entendimento de que cada um tem seus próprios sonhos.

Bom seria se percebêssemos que somos todos seres livres e independentes, que trazemos nossas tendências e preferências.

Que embora vivamos neste mundo consumista, devemos estar atentos aos nossos e aos sonhos alheios.

Ninguém será feliz fazendo o que é obrigado a fazer, mas sim, trabalhando no que o deixa realizado, opção que deve ser analisada, avaliada e aceita, especialmente pelos pais, para que não venhamos a interferir em decisões importantes que dizem respeito à vida dos filhos.

Interferências que criarão infelicidade e até afastamento.

Somos todos Espíritos imortais em evolução, comandados por uma vontade própria e individual que nos leva a caminhar de acordo com as nossas possibilidades e tendências.

Possuímos, todos, a capacidade de aprender com nossos esforços e méritos.

Estamos na condição de filhos e pais passageiros, enquanto neste planeta.

Não nos encontramos sobre a Terra a passeio, nem tampouco para impormos gostos e desejos uns aos outros.

A vida nos é dada para o progresso, para o desenvolvimento das nossas potencialidades. E uma das oportunidades de crescimento é a profissão.

Dessa forma, preparemos nossos filhos para serem úteis, éticos, honestos, respeitadores, fiéis. Mas, permitamos que se dediquem àquilo que os dignifica e lhes dá prazer.

Para isso, deixemos que exerçam a profissão que elegeram para si e, felizes, vejamo-los crescer, produzir, serem felizes.

Por fim, confiemos no Pai Celestial, para o qual, todos somos filhos muito especiais.

 

Redação do Momento Espírita

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