Ezequiel Migri

Ezequiel Migri atua na área de Marketing e Propaganda, compondo jingles, vinhetas e construindo ambientes para marcas e produtos em lançamentos e já existentes no mercado. Na hora de escrever, visita vários temas, alcançando um pouco de tudo, pois à noite surge uma notícia ruim, mas de manhã a visão do velho sorrindo para os brotos de feijão rompendo a terra, acelera de novo a vida.

Pele original

A pele que procuro não é essa na qual me escondo

A pele que quero é “deli”

É de vez… Fora de tempo

Por fora madura, verde por dentro

Amadurece seus dias em silêncio

Ao frio; aquece macia e atenta,

Se esquenta, não queima; a pele esfria

É minha pele, a pele minha

Minha pele de todo dia

A pele que procuro me procura

Não peso a pele; nem a pele me pesa

Estonteante a bela me envolve dela

Asséptica, cicatrizante, aquela que me esconde, cobre e me cura

A que procuro, irá comigo até o fim

Corajosa fiel e interessante

Sei que é rara a pele que quero

É raro, o que sei que a pele quer em mim

Outra, ainda que se vista que se encaixe; não sera pele; sera capa!

A capa, geográfica que é; aparece sem fígado sem pulmão, sem nervos, sem sangue, sem cérebro sem coração

Isso jamais sera um duo!

Sozinho, serei preso debaixo da capa:  Eu serei a caça!

Se descreve num belo e liso contorno

Biográfica, aparentemente a malévola me publica

No íntimo, a pele é crua

Por dentro, a tal pele é dura, em silêncio a fingida pele fere,

As garras dessa bruta fera fura

A boca, envenenada no vermelho químico batom

Imperfeita, esconde-se debaixo da grossa base

E seus olhos, sob a sombra escura me assombra na sua escuridão.

A pele que procuro não é essa!

Pele que sinto que não me sente

Pele morta, pele fria

Não protege; aprisiona

Não abraça, estrangula

Na que espero; não sufoco: respiro.

Vivo na pele que quero, não morro vivo

Minha chegada, meu êxito, meu último alvo

A pele que quero é a que por fim, a ponho salvo em mim

Nem essa, nem aquela

É outra …

Única

É última

Pele final

Pele pura

A pele original

 

 

Migri

migri.marketing@outlook.com

MTB 85760-SP

O amor daqueles dois – A história

Eles acreditaram.

Foram fiéis ao que sentiram.

Abdicaram de si mesmo para dar a luz, cuidar e deixar crescer o Amor que juntos geraram.  E quando o amor já equilibrado e seguro, acomodou-se em seu lugar; a compreensão das coisas chegou-lhes.

Sentiram que o momento do fruto dos cuidados que tiveram “juntos” com aquele amor estava amadurecido e que da fruta madura, aproveita-se até o que não se vê. O aroma, invadiu-lhes a vida.

Degustavam o doce do fruto puro que plantou-se em seus dias, brotou em suas terras, cresceu em seus quintais.

Assistiu com eles a tudo, passou com eles seus vendavais. Agora seu doce excelente, seu sabor era nobre.

Então meus caros, não era raro vê-los encostados um ao outro com seus cabelos brancos quase que entrelaçados nos bancos das praças sentados. Nos trens, restaurantes, à noite caminhando debaixo da lua, pelas ruas vazias ou no piers de dia olhando o som do mar, como um duo apaixonado.

Viviam aos risos feito dois adolescentes, fazendo surpresas um ao outro. Presenteando-se com conchas, pedras e flores arrancadas de algum jardim.

Não deixavam morrer, não deixavam ter fim!

Fundiram-se!

O amor daqueles dois…

Seus olhos os denunciavam.

Às vezes quando entre amigos e seus olhares se encontravam; o dela brilhava, o dele sorria, e por um segundo parecia que iam e voltavam de algum lugar, de um segredo de algum mundo que só os dois conheciam e entravam.

Todos viam…

Ninguém duvidava.

Era uma clara e escancarada declaração de amor sem prévia alguma ou qualquer gesto ou qualquer outro sinal.

Era de fábrica! Aquela série única do Amor vinha com o item: “Automático-do-casual.

Alguns tentaram invadir aquele mundo particular.

Foi…

Hora querendo tirar ela dele; hora separar ele dela.

Foi inútil…

Não era questão de ser melhor que ele (o que era fácil de ser); ou mais bonita, generosa, compreensível que ela (o que era difícil de ser).

O segredo estava no que eles tinham sem parecer ter, no que eram se parecer ser, no que se via neles sem se ver.

Sem qualquer razão e aparentemente fora de contexto, ao se despedir, ele dizia como que ao vento:

“Um mundo em sua casa, cada casa sua porta, cada porta sua chave. Não dê a sua a outra; nem aceite a de ninguém.

Cada coisa em seu lugar, pois cada um é o que o seu mundo tem”.

Eles lutaram tanto por esse amor que agora o próprio Amor parecia que queria pagar-lhes pelos cuidados.

Então os mimava…

Silencioso, discreto mas sempre presente. Tomava conta deles como um filho dos pais. Sim como um filho… um filho que eles não tiveram.

O mais precioso entre eles não estava nos momentos felizes ou naquela virada financeira no tempo mais difícil da vida deles. Não…

O doce não vinha do reconhecimento e respeito que os amigos ou a sociedade unanimemente lhes prestava.

No carro novo, na bela casa dos sonhos. No anel de ouro ou diamante, não morava no momento do ”pedido”.

Não estava lá no “antes”, ou no “sonho daqui distante”

Nunca esteve no banco. Na bela pele da juventude ou experiente ruga da velhice.

Não estava no “cabelo ao vento” ou nas tranças brancas do tempo.

Não era de ouro, pedra, pau, barro, cobre ou vidro.

Nem estava no que ela ou ele, um no outro viram.

O segredo vivia no que a todo momento construíram juntos como se dissessem: “Vejam!”

Mas aos nossos olhos parecia que escondido.

Mas todo tempo esteve lá…

Abstrato, incontível e tão bem guardado

Corajosamente manso,

Valentemente flor,

Um silencioso grito,

Foi invisivelmente visto,

O amor daqueles dois.

 

Migri

migri.jornalista@outlook.com

Revoada de meninos

* Dedicado ao menino que perdi.

 

Quem éramos nós?!

Pés descalços deixavam suas marcas no caminho

Caminhos e pegadas mudam com o tempo

A marca dos pés que era única ficou igual a tantas

O impresso de outro nome na sola do sapato, é a marca, a impressão no chão agora

O dono diz quanto vale seu sapato

Mas o sapato; o sapato não diz quanto vale o dono

Quem éramos nós!!?

Dividindo balas, bolos, choros e bolas

Nas calçadas ou qualquer lugar, em três, quatro, um bando de passarinhos

Soltos!  Revoada de meninos!

Agora grisalho, de caras cadeiras, giramos na sala sempre dentro do mesmo lugar.

Do último andar, derramo meu olhar na calçada

A felicidade nunca saiu de lá

Foi na subida; na subida deixei meu menino nos degraus da escada

Meninos não sobem aqui

É hora de descer

Abro as gavetas: papel timbrado, canetas, etc. e etc…

Falta-me bolinhas de gude, bodoque, biribas, apitos e cornetas!

Pra fazer festa pelas casas, cutucar frutas, cruzar águas, correndo ruas e calçadas

Pular cerca, correr de boi, saltar de corda dentro do rio, ganhar corrida, tomar sorvete

Dormir cansado bebendo a vida

Quero de novo o start do menino

A  inversão da vela ao vento e a surpresa da resposta na invenção do momento

Falta-me revoadas…

Revoada de velhos meninos.

Sim! Por que não?

A  revoada dos velhos meninos da cidade!

As forças guardadas nas lembranças, as asas dobradas em nossos guarda-sonhos

A revoada dos velhos meninos!

Ainda que seja a última.

Poder dizer a plenos pulmões:

Valeu!

A vida nos deu o que podíamos guardar

Pra cada um o que é seu.

Cada canto seus cantores

A minha lágrima é minha; pois foi em mim que doeu

O tempo guarda o lugar para cada idade

No tempo das sementes, o campo

Para o tempo dos jardins; as flores

Cada rua sua vila, seus moradores,

Sua pátria, suas guerras, seus soldados e seus hinos

Suas horas seus minutos, suas histórias, seus corações com  seus amores

Pra cada menino sua cidade.

E ainda que seja tarde;

Para cada cidade os seus meninos

 

Ezequiel Migri

migri.marketing@gmail.com

11 9 5410 3400

A greve dos que não trabalham

A greve dos que não trabalham.

A greve que existe mais ninguém pode provar, ninguém consegue pegar

Escondida entre emendas e teatros de escândalos de corrupções em intermináveis capítulos os quais repetidos pela mídia, fecham os olhos e tampam os ouvidos dá telespectadores para que ninguém perceba a maior greve de todos os tempos na história desse país:

“A greve dos que não trabalham “

Você pode dizer que tem aí uma inversão do sentido lógico em minha frase. É talvez seja minha a frase; mas o real, a prática; você sabe bem de quem é.

Alguém já disse que o grande truque do mal, é fazer todos acreditarem que ele não existe.

O truque é ter a existência sempre questionável para transitar entre o real e o irreal. Esconder-se bem a vista vivendo desordenadamente em prol do retrocesso mental entre a frase: Ordem e Progresso.

A confusão se instala na sociedade quando se confundi o que é fundamental para a vida.

O Sindicato dos Não trabalhadores promovem um circo de diversão escondendo dos trabalhadores a verdade dos direitos.

A grande verdade do direito é que o direito de verdade; é feito pelo povo, para o povo. E para o direito ser direito, tem que já nascer como “Bem comum”.

Não falo aqui de qualquer tipo de partido político, organização ou classes. Trata-se de respeito ao ser humano como seu igual e tomando deste ponto de partida tecer o meio de convívio social falando de uma história que teve início em 1.500.

Uma cultura de fome, medo, escravidão, abuso de poder que se entremeou na cultura de um povo feliz e simples.

Descobriram o que?

Descobriram que a simplicidade deste povo em ser alegre, amistoso e simples, seria de fácil manipulação e enormes lucros.

De um espelho, e eles te darão um pedaço de terra.

Dê-lhes um carnaval e lhe darão 5 domingos de trabalho em troca.

Em troca de um pátio e uma bola, trabalharão o feriado em troca de folgas ou seja; nossos filhos comeram “folgas”.

Quem trabalha, trabalha para prover o sustento do seu lar.

Quem se propõe a trabalhar  faz uma troca num empenho de suor;  por algo ou alguma coisa que lhe provenha sustento.

Estamos trabalhando para comprarmos “Dias”?

Mas o sindicato dos que não trabalham, vivem por uma cartilha desde a tal Descoberta.

Dê-lhes uma novela e eles lhe darão seus sentimentos.

Um carnaval e esquecem da comida, da escola, da saúde

Mas dê-lhes uma copa do mundo e lhe darão o resto de seus dias presos a bola e ao botão.

Encandeia os melhores visionários. Prende até as melhores cabeças. Assenhora-se das melhores intenções.

Está pronta a cela e está feita a cadeia.

Não se trata aqui de sua diversão, mas sim, de intoxicação.

O sindicato dos Não trabalhadores nos prende em sua teia.

Enquanto você se distrai, eles traem a verdade na cara do seu direito.

Enquanto você assiste, a imagem distorce no seu entendimento o que você quer e precisa, seu futuro desiste; e sua liberdade luta só.

O território da manipulação nas mãos do manipulador.

A verdade, grande parte caro leitor, grande parte do que se diz informação é na verdade manipulação, ou contra informação.

Uma mentira bem maquiada por inserções de fatos distribuídos no meio.

Distraídos; não percebemos o sindicato dos que não trabalham instalando suas oportunas greves.

As estradas esburacadas!

Não podemos fazer nada estamos cuidando da corrupção.

As escolas estão fechando!

Não podemos fazer nada. Estamos cuidando da corrupção.

Falta o básico na saúde médicos suficiente, hospitais e medicação, atendimento respeitoso e digno.

Não podemos atendê-lo agora, pois estamos prendendo “Fulano”. Fique na fila.

O transporte, o preço e a falta da alimentação básica num país de 8.514.876.599 Km2?

A corrupção está instalada feita cupim na madeira desta embarcação.

Disfarçada, no terno, na toga, com apito no jogo ou martelo na mão.

Fardada ou descaracterizada, armada de fuzil ou espada, na paulada do pau ou no choque que tomamos de quem pagamos pela proteção.

De batina, má vestida ou toda dourada.

Na absurda alta da alimentação, da energia e da agua que mata pela falta ou pela contaminação.

No valor imposto do imposto; reconhecemos sua cara lavada.

A greve dos que não trabalham; tralham o sonho dos que trabalham duro para ter seu direito constitucional de cidadão.

Distração do molho do moro; digo, molho do morro.

Pois é… aqui todo mundo conhece sua velha cara.

A tal, excelentíssimos, promotores; não veio a jato não.

Veio de caravelas, a velas com os ratos no porão.

 

 

Migri

(11) 95410-3400

migri.marketing@gmail.com

Brasil; ninguém te viu

Deixado para trás

Você não estava lá

Ninguém percebeu a falta que você não fez

Nunca houve pra você um momento, nunca existiu

Nem à vista, nem à prazo

Incompleto, inacabado, prescindível, inconcluso

Pra te descobrir não houve acerto; na bússola houve um erro

Pra te fazer não houve calculo; houve conluio

Em você, não a o que ver

Com você; nunca nada se fez, se faz,  ou se há de fazer

É simples demais…

Fácil pra ninguém entender

Você é um risco, o aborto de um projeto

A sobra da sombra do esboço

Um alvoroço de ideias e ideais

Um sonho meio tosco

Um gigante, colosso, imensamente pequeno

Sem cabeça, só corpo

Os menores te embriagam, te vêm sambar, te driblam e te levam no bolso

Quando percebem que você pode perceber; te exportam

Te pintam de verde e amarelo e comrapaz anto copa

Agora ligue a TV!

Você vai ver, como você não vai ver

Alta do preço do diesel e da gasolina

Aflição do desemprego

O desespero das mães chorando seus filhos nas esquinas

O alto custo da saúde, da comida, do estudo

O arrastão da Radial no escuro

O preço do peso de tudo

Eu prometo:

Você vai aprender

Olhe pra bola , jogue meu jogo que te faço esquecer

Não leve a mal

Ninguém quer te comprar

Aqui todo mundo quer te vender

Ninguém te viu, ninguém te vê

Só você não percebeu

O seu Branco é de bandeira de paz

Imenso como céu Azul

O Verde do seu jardim guarda riquezas medicinais

E o seu ouro…

Ah!!! O seu ouro rapaz…

Não se distrai tanto moço

Você é Amarelo demais

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