Carolina Lemes

Jornalista por formação (FAAT-2010), atuou em jornalismo radiofônico até 2013, quando passou a fazer parte da equipe da Gazeta da Cidade.

A lacuna entre homens e mulheres na ciência

Muito tem se falado sobre o empoderamento feminino e a igualdade de gênero em todas as atividades e em todo o mundo – problema antigo na sociedade que diferencia a mulher do homem em seus direitos e deveres. A Organização das Nações Unidas (ONU) luta pelo fim dessas diferenças, na ciência e em outros setores, sendo considerada uma meta vital para o desenvolvimento dos países. Entretanto, este objetivo ainda está longe de ser atingido – apesar de uma leve evolução.

Para diminuir as lacunas, a ONU declarou 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Segundo um estudo realizado em 14 países, a probabilidade de mulheres obterem o grau de licenciatura, mestrado e doutorado em campos relacionados com a ciência é de 18%, 8% e 2%, respectivamente; enquanto as porcentagens masculinas são de 37%, 18% e 6%.

A data foi aprovada pela Assembleia das Nações Unidas em 22 de dezembro de 2015, por meio da Resolução A/RES/70/212, para promover o acesso integral e igualitário no setor, reforçando que as mulheres e meninas desempenham um papel fundamental nas comunidades da ciência e tecnologia e que a sua participação deve ser fortalecida na área.

Em mensagem conjunta, Audrey Azoulay, diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), e Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres, já falaram sobre o Dia Internacional de Mulheres e das Meninas na Ciência:

“Nosso futuro será marcado pelo progresso científico e tecnológico, assim como nosso passado. Esse progresso futuro será melhor quando se basear no talento integral, na criatividade e nas ideias de mulheres e meninas na ciência.

A maioria dos países, industrializados ou não, está longe de alcançar a paridade de gênero nas disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática em todos os âmbitos do sistema educacional. Esse déficit alimenta a lacuna no emprego. De acordo com estimativas do Instituto de Estatísticas da Unesco, as mulheres atualmente representam menos de 30% da força de trabalho de pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo.

O rápido crescimento dos setores de ciência e tecnologia é vital para as economias nacionais. Lidar com alguns dos maiores desafios da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – da melhoria do sistema de saúde ao combate da mudança climática – dependerá de aproveitar todos os talentos.

Uma das principais ferramentas para combater a desigualdade de gênero nas ciências é desmantelar as barreiras para meninas e mulheres em casa, na sala de aula e no local de trabalho. Isso requer mudar de atitudes e desafiar os estereótipos. Precisamos combater percepções preconceituosas entre professores, empregadores, colegas e pais quanto à adequação de meninas e mulheres jovens na educação científica – ou na aprendizagem da ciência de modo geral –, nas carreiras científicas e nas lideranças e coordenações no âmbito acadêmico.

É difícil para as meninas acreditarem em si mesmas como cientistas, exploradoras, inovadoras, engenheiras e inventoras quando as imagens que veem nas mídias sociais, nos livros didáticos e na publicidade refletem os papéis estreitos e limitantes de gênero.

A ONU Mulheres e a Unesco estão engajadas em continuar trabalhando no Sistema das Nações Unidas e com todos os nossos parceiros da sociedade pública, privada e civil para garantir que as meninas e as mulheres sejam representadas de forma mais igualitária, que a elas sejam concedidas todas as oportunidades que precisam para prosperar em disciplinas relacionadas à ciência, e para que façam as descobertas inovadoras do futuro”.

Essas e outras desigualdades relacionadas às mulheres precisam – e devem – ser superadas, e uma das formas de conseguirmos isto é à base da mobilização e da luta.

 

 

Foto: Ilustrativa

De olho na segurança online!

O Dia Mundial da Internet Segura (Internet Safer Day) 2020 será comemorado em 11 de fevereiro, em mais de 100 países, incluindo o Brasil. A data, criada há aproximadamente 16 anos, pela Insafe, rede de organizações que trabalham para o uso consciente da internet nos países da Europa, busca alertar para os riscos que existem na vida digital, tanto de usuários domésticos quanto nas empresas, pois, como já é sabido – apesar de não ser levado a sério -, este ambiente online apresenta diversas vulnerabilidades.

Segundo um estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência da Organização das Nações Unidas (ONU), mais da metade da população mundial têm acesso à internet. São 3,9 bilhões de pessoas conectadas no mundo todo – o que equivale a 51% da população mundial. Muitas são vítimas de golpes pela internet, seja com fotos íntimas vazadas, perdendo dinheiro, crimes de pedofilia, racismo e preconceitos em geral, se transformando em presas de criminosos, entre outras ações; a lista é grande.

No Brasil, cerca de 120 milhões de pessoas têm acesso à internet, conforme apontou o relatório sobre economia digital publicado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Os indivíduos estão cada vez mais conectados, seja no computador, no tablet, por meio do smartphone ou até mesmo através de outros dispositivos, como a TV, o videogame e eletrodomésticos; usando tecnologias a cabo, 3G, 4G, 5G, via rádio ou wi-fi. A conectividade está presente na vida das pessoas, tanto na pessoal quanto na profissional.

Um dos pontos positivos da internet é a praticidade de serviços, inclusive, gratuitos. Já o lado nada bom de existir tanta gente conectada tem a ver com a segurança desses usuários, não só quando se inicia alguma transação bancária e na compra de algo, mas também há perigo presente num mero bate-papo.

Então, uma dose extra de segurança e desconfiança cai bem no mundo visto através de uma tela. No Brasil, nós temos a SaferNet, uma organização não governamental (ONG) criada para combater crimes e violações dos direitos humanos na rede. No site da entidade (www.safernet.org.br) é possível encontrar diversos textos sobre segurança na internet, além de orientações de como se portar ao acessá-la.

Por uma internet mais positiva, a ONG também promove no Brasil o Dia da Internet Segura 2020, em 11 de fevereiro, visando articular diferentes instituições públicas, privadas e do terceiro setor em torno da conscientização do uso seguro, ético e responsável da internet. Para saber mais, acesse: www.diadainternetsegura.org.br. A ação conta com o apoio institucional do Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal, Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), entre outros.

 

 

Arte: Rede sociais SaferNet

Desmistificando a hanseníase

A hanseníase, que um dia já foi chamada de lepra, é uma das doenças mais antigas do mundo. O Brasil é um dos países que registra mais casos da doença, que é infecciosa e contagiosa, causada pelo bacilo Mycobacterium leprae. Instituído pela Lei nº 12.135/2009, o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase é comemorado anualmente no último domingo do mês de janeiro. Assim, a data, neste ano, será celebrada no dia 26. Por isso, janeiro se tornou o mês de combate à hanseníase, e abriga o movimento Janeiro Roxo.

A Atenção Primária à Saúde de Extrema está realizando a campanha de prevenção à doença. Cada Estratégia Saúde da Família (ESF) tem sua própria programação de atividades que acontecem durante todo o mês, incluindo ações de prevenção e orientação, além de atendimentos e palestras.

Com aproximadamente 30 mil novos casos diagnosticados por ano, cerca de 6% dos registros acometem crianças e adolescentes, o equivalente a dois mil pacientes, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Desses, 7% (140, em média) são diagnosticados com alguma sequela relacionada à doença, que pode, por exemplo, atrofiar partes do corpo.

Quanto mais rápido os sintomas forem detectados e o tratamento iniciado, mais rápido o paciente irá se curar, e ainda com chances de ficar sem nenhuma sequela, pois a doença, mesmo depois de curada, pode ocasionar incapacidades/deformidades, quando não tratada ou tratada tardiamente.

Os principais sintomas da doença são: manchas brancas, vermelhas ou marrons em qualquer lugar do corpo, com perda ou alteração na sensibilidade, e caroços (nódulos) ou inchaços. Também pode causar formigamento, sensação de choque, dormência e queimaduras nas mãos e pés por falta de sensibilidade, além de falta de força e problemas nos olhos. Ao notar qualquer um dos sintomas, a pessoa deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua casa. A hanseníase tem cura e o tratamento é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Doentes sem tratamento transmitem a hanseníase através do aparelho respiratório superior (secreções nasais, tosse, espirro), mas especialistas afirmam que os pacientes tratados e os já curados não podem contaminar ninguém.

 

 

Arte: Prefeitura de Extrema

Não à intolerância religiosa

A pauta intolerância religiosa está em alta em todo o país, e ainda bem. Já havia passado da hora de os brasileiros começarem a pensar mais efetivamente nos questionamentos que fazem das pessoas por terem essa ou aquela religião. Para reforçar ainda mais que julgar alguém por sua fé não é bacana nem respeitoso, criou-se o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, comemorado anualmente em 21 de janeiro (próxima terça-feira).

A discriminação ou preconceito religioso (praticado ou induzido) é crime no Brasil, cabível de pena de reclusão de um a três anos, além de multa. Vale lembrar que o Brasil é um Estado laico, ou seja, resumidamente, cada pessoa pode ter a religião que escolher ou nenhuma, pelo menos deveria ser assim, de acordo com a Constituição Federal, que em seu artigo nº 5 trata especialmente da liberdade religiosa e de crença: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”.

Infelizmente, com o crescimento da diversidade religiosa no país é registrado também um aumento na discriminação religiosa. Os adeptos de religiões de matriz africana estão entre os principais alvos, sendo que Umbanda e Candomblé são as religiões mais perseguidas no país.

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi instituído pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007. A data para a luta foi escolhida em homenagem à Mãe Gilda (considerada símbolo da luta pelo respeito à diversidade de crenças), fundadora do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador (BA), que morreu em 21 de janeiro de 2000, vítima de um infarto, após sofrer intolerância religiosa – seu terreiro foi invadido e depredado por representantes de outra religião; agressões físicas e verbais também foram registradas. Em 2016, a estátua de Mãe Gilda foi alvo de vandalismo.

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), com o apoio do Brasil e de outros sete países (Canadá, Egito, Jordânia, Nigéria, Paquistão, Polônia e Estados Unidos), aprovou uma resolução que declara a data de 22 de agosto como o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Atos de Violência baseados em Religião ou Crença. A decisão foi adotada em maio de 2019 e, consequentemente, a data foi comemorado pela primeira vez no ano passado.

Segundo a ONU, “na resolução, é expressada a preocupação com os frequentes atos de intolerância e de violência com base na religião e na crença das vítimas. Também alertam para o fato de que esses ataques têm visado determinadas comunidades e minorias, aumentando em quantidade e gravidade e assumindo, muitas vezes, um caráter de crime. Países reiteram ainda que o terrorismo e o extremismo violento, em todas as suas formas e manifestações, não podem nem devem ser associados a qualquer religião, nacionalidade, civilização ou grupo étnico”.

Diga não à violência física ou psicológica. Não à intolerância religiosa. Não se pode odiar o que não se conhece.

#PorUmaCulturaDaSaúdeMental

Janeiro, por ser o primeiro mês do ano, quando as pessoas buscam por realizações, renovação, modificação ou simplesmente um ano melhor ou diferente, é um período em que muitos olham para si e avaliam suas condições psíquicas e existenciais. É um mês propício para ressaltar que a saúde mental e emocional precisa de atenção. Ela ultrapassa barreiras nacionais, culturais e socioeconômicas. As perturbações dessa natureza crescem a cada dia em todo o mundo e, independentemente de sua gravidade, são as principais doenças do século XXI.

Estudos apresentados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Mistério da Saúde indicam que o Brasil tem experimentado um crescimento vertiginoso das problemáticas relativas à saúde mental/saúde emocional. São altos os índices de violência (em domicílios, no trânsito ou em escolas), de criminalidade, de suicídios, de alcoolismo, drogadição, depressão, ansiedade, de preconceitos e de outros sintomas relativos a estilos de vida adoecidos e que colocam em risco o equilíbrio mental, comportamental, espiritual e emocional das pessoas.

Em sua 7ª edição (2019), a Campanha Janeiro Branco nasceu em Minas Gerais.  Ela convida as pessoas a pensarem sobre suas vidas, colocando o tema da saúde mental em evidência em prol da prevenção do adoecimento emocional da humanidade, e, assim, estimular a busca por estratégias políticas, sociais e culturais para que a saúde mental seja, além de prevenida, conhecida e combatida.

Com o slogan “Quem cuida da mente, cuida da vida”, a Campanha Janeiro Branco está dando certo. Cidadãos, psicólogos e demais profissionais (da área da saúde ou não) estão se mobilizando e ajudando a difundir a ação e seus objetivos.

O movimento destaca que “há sofrimentos que podem ser prevenidos; dores que podem ser evitadas; violências que podem ser impedidas, cuidadas ou reparadas; exemplos que podem ser partilhados; e ensinamentos que podem ser difundidos”.

Mais detalhes sobre a campanha, a programação e suas novidades podem ser encontradas em: www.janeirobranco.com.br. #PorUmaCulturaDaSaúdeMental

 

 

Arte: Campanha Janeiro Branco

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